sábado, 29 de outubro de 2011

Política é piada e humor é assunto sério

Em todos os meios de comunicação tem-se falado sobre o polêmico comentário do humorista Rafinha Bastos, famoso por fazer comédias “stand-up” e apresentar o programa CQC (Custe o que Custar) na TV Bandeirantes; o rapaz foi afastado de suas atividades e responderá a um processo judicial por conta de sua piada considerada infeliz.
Mas fica a questão: será que essa situação merecia esse circo todo? O Brasil é um dos únicos países onde políticos são considerados piadas e humoristas são levados à sério. Temos muitos casos em que nossa imprensa fez tempestade em copo d’água e só serviu para dar cinco minutinhos de fama a quem não merecia; quer um exemplo? Geyse Arruda! Ficou famosa por conta de seu vestidinho rosa e corre o boato que pretende candidatar-se a algum cargo público. Alguém duvida que ela pode conseguir se eleger?
Depois de Tiririca ganhar milhões de votos, eu não duvido de mais nada, mas voltando ao assunto, admiro o Rafinha Bastos, pois é um rapaz inteligentíssimo, pode ter feito um comentário de mau gosto, mas atire a primeira pedra quem nunca fez. Até Boris Casoy, considerado um dos melhores âncoras da TV brasileira, brincou com a situação dos garis. A grande diferença está na importância que é dada ao que pessoas famosas falam ou deixam de falar.
As pessoas deveriam dar mais importância a assuntos que realmente irão afetá-las, como a política do país e a situação da educação e saúde pública e menos valor ao que celebridades falam e fazem.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Testemunha da sombra

Foi uma cena chocante, presenciei tudo sem que me percebessem. Vi tudo com clareza, sou capaz de descrever cada um deles, os que lhe tiraram a vida.
Tudo aconteceu em plena luz do dia. Quando chegaram, dois deles, que estavam na parte de trás do veículo, já armados, saltaram assim que o carro parou. Enquanto outros dois foram se equipar, os primeiros foram ao encontro da vítima, a julgar pela ausência de comunicação entre eles, percebi que tudo havia sido planejado com antecedência, a distraída havia sido escolhida e estudada minuciosamente, além do que, as atitudes deles eram de profissionais.
Abordaram a fadada com extrema brutalidade, sem que tivesse  - como se pudesse - a menor chance de reação, foi tão rápido que quando me dei conta já estava ela amarrada e o sangue começava a escorrer pelo seu corpo. Apesar de idosa, era forte, resistiu enfrentando-os, mas, por conta disso, teve seus membros decepados.
Nesta hora, julguei-me um nada, ali, parado, sem emitir sequer um som, sem protestar, pensei em gritar algo como: Ei! Vocês aí, parem! Mas não, nem sequer chamei a atenção da vizinhança. Acovardado e impotente permaneci.
Sem deixar de atentar ao que acontecia, corria meus olhos para outras direções, na esperança de ver alguém que tivesse se apercebido da ação. Um homem, do outro lado da praça, por alguns instantes parou e, mesmo entendendo tudo, deu as costas e preferiu seguir seu caminho, como não se importando mais, engrossando as fileiras do exército daqueles que acreditam que, por serem recorrentes, fatos como aquele eram “comuns”, e que nada lhes restava fazer senão fingir cegueira.
Em pouco tempo o que se anunciava estava consumado. O destino daquela vida cumpriu o impiedoso plano traçado pelo bando de homicidas.
Depois de arrebatarem-lhe a vida, jogaram-lhe os restos na carroceria da caminhonete, recolheram todas as armas e vestígios de sua empreitada e partiram.
Antes que dobrassem a esquina pude ver seu corpo desfigurado chacoalhando bruscamente na traseira do funesto, restando-me apenas lamentar a falta que sua fresca sombra faria quando me sentasse no banco de praça que a ladeava.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Que que é, vai encarar?

      Na sociedade moderna, a tolerância se transformou em uma grande virtude, aceitando-se tudo, sem críticas. Porém, o mais impressionante não é a nossa capacidade de se adaptar em uma vida social, mas os abusos que algumas pessoas cometem ao viver em sociedade.
      Carros com motoristas embriagados atropelam pedestres nas calçadas, ampliando estatísticas de morte no trânsito. Mulheres dão a luz e jogam seus bebês no lixo ou em córregos. Padrasto bêbado atira criança de 2 anos na parede e ela morre.
      O pior é saber que isso não acontece subtamente, e sim que vem sendo gerado há algum tempo, e gera sinais de exasperação na linguagem da sociedade. Um exemplo de exasperação pode ser encontrado nas lojas de brinquedos, isso mesmo, nas lojas de brinquedos. Aqueles pequenos módulos de plástico colorido, que na época de nossos pais, serviam para montar casas e homenzinhos, hoje formam agressores e artefatos de guerra.
     Além do que, as sessões da tarde da televisão são de horror. São selecionadas e transmitidas atrocidades com a pretenção de mostrar a "realidade", mas só as que lhes convém. Então a intolerância e a violência, tornou-se  cada vez mas explicita, das pancadas e dos tiros, até as perseguições de carros que se destróem pelas ruas e são reforçadas por outra e outra, mais insidiosa.
     E não há como fugir, por mais que muitos pensem o contrário, não é tão simples e rápido expulsar essa situação desordeira de uma sociedade como a que vivemos.
     E o pior do pior é saber que a violência é praticada tanto por pessoas más como por pessoas boas, fazendo com criemos uma sociedade através de uma montagem nervosa, tensa e reforçada por músicas, que transmitem efeitos sonoros agressivos de grande impacto.
      E com isso, estamos à um passo da bagunça ética no país. E essa sociedade grita: " Que que é, vai encarar?".

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Crônica "Levando o amigo à forca"

Querem mandar para o céu um pobre cão do Boqueirão, bairro em Santos, acusado assassino violento. Um cocker, vitimado ao proteger seu dono, teria detido a fúria insana do pitbull, réu com histórico de agressões.

Em meio a esse maniqueísmo, moradores do bairro rogam pela condenação do cão, indiferentes às responsabilidades do dono. Igualmente ao dono do pitbull, a maioria apenas lamenta a fatalidade. Porém, quem sobressai às opiniões é um grupo impiedoso, ao exigir a vida do animal. Donas de casas e simpatizantes agitam uma infundada e fugaz comoção pelo sacrifício do animal, quase remetendo ao código de Hamurabi e sua demanda “olho por olho, dente por dente.”

Só mesmo indivíduos intelectualmente fossilizados para clamar uma insesatez dessas, e ainda sob preceitos como os da era babilônica. Um animal em fuga é responsabilidade do dono, que deve responder pelas suas ações, afinal é uma escolha consciente cuidar de uma criatura irracional no meio da cidade. Apesar disso, tem sido imperceptível a muitos moradores a quem cabe a responsabilização do ocorrido, ao dono. Que fique claro pelo menos agora.

Que o dono do pitbull seja responsabilizado sim, mas não condenado à forca pelos atos do bicho. A lei impõe o controle por coleira e focinheira aos animais, e seu não cumprimento acarreta em multa, como divulgado em alguns jornais desde o ocorrido. Entretanto, a morte do cocker ainda sustenta um pedido de justiça cabida com o sacrifício do animal violento. Como diversos outros impasses morais da democracia, essa resolução fica a cargo dos donos destes animais, os quais resolverão entre si, um pela perda sofria do companheiro fiel, e outro pela perda a sofrer de um companheiro fujão.

O melhor amigo do homem certamente não merece a pena de morte. Ainda mais injusto é não ter quem pelo mesmo interpele a defesa diante uma comoção que busca fazer justiça a sua conveniência.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Crônica: “O que o ser humano mais deseja na vida? Abundância e alegria, um bom relacionamento feliz e boa saúde”.

É... o mundo está louco! concluía eu ao observar da janela de meu apartamento as ruas do entorno que minhas vistas alcançavam, enquanto fumava meu maldito e confortante cigarro. Pessoas indo e vindo, subindo e descendo, comprando e vendendo, clamando e sussurrando, oferecendo e pedindo, umas tentavam chamar a atenção, outras, passar despercebidas.
Por alguns instantes mantive minha atenção no cruzamento de uma jovem e bem vestida mulher, que esbravejava dizendo estar atrasada, ao mesmo tempo em que tentava retirar, com potentes e eficientes tapas, da roupa de seu filho alguma sujeira que ele causara dada a sua falta de habilidade no manuseio do sorvete, que trazia em uma de suas pequenas mãos, com outra que carinhosamente recolhia em seus flácidos braços um pequeno cachorro, ao mesmo tempo em que buscava uma maneira menos arriscada e dolorosa para curvar-se, a fim de limpar as fezes que o animal dispensara na calçada.
Que mundo é esse? Ações, respostas, raciocínio, desempenho, dinamismo, praticidade, eficácia, consciência, soluções, planos, métodos, saídas, metas, políticas, rentabilidade, sustentabilidade, flexibilidade e equacionabilidade, tudo isso em prol do tal termo da moda: otimização, o que será que procuram as pessoas?
A busca por otimizar nosso tempo, transformou-se na nova corrida do ouro, na nova coqueluche do momento (que expressão antiga, credo!). E aí? Qual a finalidade desta busca, se por conta dela cada vez menos conseguimos desfrutar do nosso tempo da maneira que desejamos.
Todos nós enxergamos essa loucura cotidiana como se fosse uma máquina descontrolada, que nos submete e subjuga, em velocidade progressiva, impossível de ser detida ou desligada, que esmaga todos os que manquitolam, tropeçam, cansam ou por outro motivo não conseguem acompanhar sua progressão.
Quer saber, não sei de nada, só sei que a jovem mulher não aproveitou a oportunidade nem a boa saúde que a juventude lhe permitia, para curvar-se diante de seu filho e confortá-lo com palavras carinhosas, livrando-o do descabido sentimento de culpa, enquanto delicadamente limpasse a roupa do pequenino. Talvez quando atingir a idade da outra mulher com a qual cruzou, consiga agir com mais complacência, só que seu filho já se fará homem e, quem sabe, reste-lhe um cachorro para praticar os ensinamentos adquiridos em sua vida.
Ai de nós... pobres buscadores, despendemos nosso tempo buscando aquilo que não nos foi levado por ninguém, e um dia depois de cansados, alguns de nós, revirando velhas roupas no armário de nossas vidas, deparamo-nos com aquilo que aspirava-mos, ele estava ali, tão perto, o tempo todo, esquecido num dos bolsos daquela que em algum momento foi nossa roupa preferida, a mais alva e vistosa, a da dignidade humana, o respeito próprio.
Aliás, por falar em roupa, ando precisado de alguma mais adequada, a julgar pelo que vejo e ouço por aí, a que uso, além de barata está fora de moda.
Enfim o cigarro foi consumido ao mesmo tempo em que me consumia... Talvez deva ser isso que acontece conosco, na ânsia de sermos senhores acabamos por nos escravizar.

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