terça-feira, 25 de outubro de 2011

Testemunha da sombra

Foi uma cena chocante, presenciei tudo sem que me percebessem. Vi tudo com clareza, sou capaz de descrever cada um deles, os que lhe tiraram a vida.
Tudo aconteceu em plena luz do dia. Quando chegaram, dois deles, que estavam na parte de trás do veículo, já armados, saltaram assim que o carro parou. Enquanto outros dois foram se equipar, os primeiros foram ao encontro da vítima, a julgar pela ausência de comunicação entre eles, percebi que tudo havia sido planejado com antecedência, a distraída havia sido escolhida e estudada minuciosamente, além do que, as atitudes deles eram de profissionais.
Abordaram a fadada com extrema brutalidade, sem que tivesse  - como se pudesse - a menor chance de reação, foi tão rápido que quando me dei conta já estava ela amarrada e o sangue começava a escorrer pelo seu corpo. Apesar de idosa, era forte, resistiu enfrentando-os, mas, por conta disso, teve seus membros decepados.
Nesta hora, julguei-me um nada, ali, parado, sem emitir sequer um som, sem protestar, pensei em gritar algo como: Ei! Vocês aí, parem! Mas não, nem sequer chamei a atenção da vizinhança. Acovardado e impotente permaneci.
Sem deixar de atentar ao que acontecia, corria meus olhos para outras direções, na esperança de ver alguém que tivesse se apercebido da ação. Um homem, do outro lado da praça, por alguns instantes parou e, mesmo entendendo tudo, deu as costas e preferiu seguir seu caminho, como não se importando mais, engrossando as fileiras do exército daqueles que acreditam que, por serem recorrentes, fatos como aquele eram “comuns”, e que nada lhes restava fazer senão fingir cegueira.
Em pouco tempo o que se anunciava estava consumado. O destino daquela vida cumpriu o impiedoso plano traçado pelo bando de homicidas.
Depois de arrebatarem-lhe a vida, jogaram-lhe os restos na carroceria da caminhonete, recolheram todas as armas e vestígios de sua empreitada e partiram.
Antes que dobrassem a esquina pude ver seu corpo desfigurado chacoalhando bruscamente na traseira do funesto, restando-me apenas lamentar a falta que sua fresca sombra faria quando me sentasse no banco de praça que a ladeava.

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